Não é segredo pra ninguém que após a sua conquista do hepta-vice pro Mengão a torcida da vasquinha, além de ser pequena, mal vestida e pouco assídua nos estádios, costuma se esconder antes, durante e, principalmente, depois dos jogos em que tem que enfrentar o Mengão Papaizão Severo Quebrador de Bacalhau. Tudo isso para não sofrer com o inevitável bullying que faz por merecer.
Chato pra caramba, eles não botam a cara e dizem que depois do jogo eles vão falar. Caô forjado! É mais fácil achar um motorista de táxi que tope fazer uma corrida no relógio na Marquês de Sapucaí no dia do desfile das escolas de samba do que achar um torcedor do vice a fim de trocar uma ideia depois de apanhar do Flamengo.
Mas eu vou ensinar pra vocês que são fechados com o certo um método infalível de identificar os filhos da bigoduda em locais públicos. Assim vocês não terão nenhuma dificuldade para cumprir o seu dever de zoar esses buchas antes, durante e depois do jogo marcado para o pornográfico horário de 19:30 desta noite pré-carnavalesca. Esses caras da Federação Carioca são uns tarados. Tarados em arquibancada vazia.
Procure um local onde os populares se reúnem, pode ser um bar, um boteco, uma birosca ou até mesmo um pé sujo. Só não pode ser em um estádio do Estado do Rio durante o carioqueta porque nunca tem ninguém. Observem atentamente seus frequentadores e tentem identificar os assuntos que estão sendo debatidos entre os pinguços.
Se tiver um grupinho exaltado discutindo obsessivamente sobre o Flamengo podem chegar junto fazendo barulho que não tem erro, são eles, os viceínos. Que como todo mundo sabe só falam, 24 horas por dia, no vermelho e preto lindão da Gávea. Aí é só se identificar, mostrar a nossa avantajada supremacia, zoar os manés e correr pro abraço, vocês já fizeram a sua parte.
Tenho consciência de que é meio falta de educação ter que sacudir a nossa baranga véia de guerra logo nessa época do ano. O Carnaval tá chegando e no Rio é aquela parada, a mulherada de altíssimo nível brota por todos os lados. A tentação é grande, mas o dever deve sempre vir antes da diversão. E o dever agora é ganhar logo essa Taça Guanabara pra poder se concentrar exclusivamente no basquete rubro-negro que tá arrebentando.
Por isso que mesmo cheio de encrencas agendadas pra resolver durante o tríduo momesco o Mengão precisa chacoalhar a bigoduda mais uma vez para só então se entregar à doideira e ao abandono da consciência dos 3 dias de folia, brincadeira e cerveja quente.
Reconheço que é tarefa das mais reles, uma rotina à qual os dois lados já estão bastante familiarizados e não sentem nenhuma dificuldade em seguir o roteiro pré-estabelecido. E assim todo ano é a mesma coisa, podem reparar. A vasca ganha de 3 times do Aterro e fica toda se achando, crente que nesse carnaval a embaraçosa seca de dez anos sem saber o que é ganhar um mísero turno de carioqueta vai acabar. E a nossa baranga de fé se arruma toda e vai pra pista cheia de marra incontida.
O Mengão, por sua vez, vem todo torto, cheio de pobrema, de roupa velha, duro e sem cigarro. E mesmo assim a baranga não resiste, quando vê o macho-alfa se aproximar vai se abrindo todinha. E o Flamengo sabe que não existe mulher feia. Existe é mulher que não conhece os produtos Jequiti. E nem precisa quebrar na ideia, ela pede logo colo. É o amor, cumpadi. E muita sem-vergonhice também. Mas fazer o quê, né? Vamo lá pra mais uma chapuletada protocolar e mais uma marquinha na coronha.
Olhando aqui de relance pro ferro deu pra contar 112 chacoalhadas. A baranga é muito freguesona.Vamos balançar a roseira dela a centésima décima terceira ou não vamos? Claro que vamos, estamos aqui só pra isso. Ela vai gritar e espernear um pouco, talvez dê até umas unhadas, mas é só apertar que ela flatula e no final vai ter que engolir. Afinal, a vida sexual da baranga é hoje e como disse o sábio Zagallo, dois mil e treze tem treze letras.
Vamo na humildade que nos é peculiar, Flamengo, mas vamo logo com isso porque temos pressa e as malucas no Carnaval não esperam ninguém. Começando a bagunça às 7 e meia dá pra chacoalhar a mocréia tipo ôi, bora, tchau e ainda dá tempo pra tirar uma onda e tentar salvar a noite no Baile do Sarongue.
Evoé!
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