Mal os jogos do domingo terminaram… e as brincadeiras já tomaram as redes sociais. A primeira vítima foi o Vasco – ironizado pela eliminação no Rio de Janeiro:
29 de abr. de 2012
Em primeira despedida de Guardiola, Barça pinta o sete e adia título do Real
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A primeira reação do Barcelona ao anúncio da saída de Josep Guardiola foi das melhores. Praticando o futebol que o notabilizou em todo o mundo, a equipe catalã atropelou o Rayo Vallecano, por 7 a 0, no Estádio de Vallecas, e adiou o título antecipado do Real Madrid na capital espanhola, que dependia de uma derrota do arquirrival para se sagrar campeão após fazer sua parte e derrotar o Sevilla, por 3 a 0, no Santiago Bernabéu.
Lionel Messi, é claro, foi o grande destaque da partida. O craque argentino marcou dois gols, se igualou a Cristiano Ronaldo na artilharia da competição, com 43, e ainda participou de outros quatro tentos, de Rober (contra), Keita e Pedro, duas vezes.
Goleada com polêmica
O brasileiro naturalizado espanhol Thiago Alcântara completou o placar e causou polêmica na comemoração, ao dançar "Tchu tchá" com Daniel Alves, que novamente começou no banco de reservas: o capitão Puyol não gostou da celebração em frente à torcida adversária e acabou com a festa em poucos segundos. Depois da partida, Guardiola afirmou que não se tratava de "atitude de um jogador do Barcelona". Os atletas se desculparam através de seus perfis no Twitter.
- Queria pedir perdão aos torcedores do Rayo que se sentiram ofendidos com a dança. Em nenhum momento quis ofender ninguém, apenas me sentir bem. Me disseram uma vez quando criança que o futebol era para se divertir - disse Dani Alves.
- Peço desculpas se eu ofendi o Rayo durante a comemoração. A emoção de ter feito o gol me fez cometer um erro. Não voltará a acontecer - encerrou Alcântara.
Fora a pequena polêmica, os visitantes festejaram os gols como se nada tivesse acontecido nos últimos dias. O time, porém, foi eliminado na semifinal da Liga dos Campeões para o Chelsea e viu o treinador declarar que irá deixar o clube ao fim da temporada, além de estar virtualmente fora da disputa do título espanhol.
O sucessor no comando, Tito Vilanova, esteve normalmente no banco de reservas ao lado de Guardiola durante a partida. Esta foi a primeira das quatro "despedidas" de Pep como técnico do Barcelona, já que ainda restam três compromissos pelo Espanhol e a decisão da Copa do Rei, no dia 25 de maio, diante do Athletic Bilbao.
O resultado mantém a diferença de sete pontos entre merengues e catalães (91 a 84). Para conquistar o campeonato, no entanto, agora bastará ao Real Madrid derrotar o Athletic Bilbao, na próxima quarta-feira, em San Mamés - sem depender do Barça, que receberá o Málaga, no Camp Nou. Ambos os jogos fazem parte da 20ª rodada, que foi adiada.
Jornal de Barcelona diz que Casillas poderá trocar Real Madrid pelo City
O jornal catalão "Mundo Deportivo", especializado na cobertura do Barcelona, publicou neste domingo que o goleiro Iker Casillas está estudando trocar o Real Madrid pelo Manchester City na próxima temporada por causa de desentendimentos com o técnico José Mourinho.
De acordo com a reportagem, Casillas foi procurado pelo City no início do ano e teria dito a pessoas próximas que não descarta uma mudança. Capitão do time e ídolo da torcida merengue, o goleiro teria até adiado o casamento com a jornalista Sara Carbonero, que estava previsto para julho.
O "Mundo Deportivo" diz que o relacionamento entre Casillas e Mourinho piorou depois que o goleiro ligou para Xavi e Puyol após diversas brigas entre jogadores de Real e Barça nos clássicos para tentar melhorar o clima entre atletas da seleção espanhola. O técnico teria ficado irritado com a postura de Casillas, que também é capitão da Fúria.
Segundo o jornal, o City sonha com Mourinho e Casillas em 2012/2013. Ao perceber que não conseguiria a dupla, passou a tentar provocar a saída de pelo menos um deles do Real. Para ter o goleiro, o sheik árabe Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, dono do clube inglês, estaria disposto a quebrar recorde de transferência.
Por outro lado, o interesse do City estaria deixando o presidente do Real, Florentino Pérez, em situação complicada. Se deixar Casillas sair, o dirigente poderia perder o apoio dos jogadores, já que o goleiro é o líder do elenco. Por outro lado, Mourinho é peça fundamental no projeto de Florentino para desbancar o Barcelona na Espanha e voltar a conquistar a Liga dos Campeões
Real Madrid passa pelo Sevilla, mas Barça atropela e adia título antecipado
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O Real Madrid fez sua parte, mas ainda não pôde soltar o grito de campeão. O time de José Mourinho venceu o Sevilla por 3 a 0 no Santiago Bernabéu, com gols de Cristiano Ronaldo e Benzema (dois), pela 36ª rodada,só que o Barcelona goleou o Rayo Vallecano, por 7 a 0, e adiou o título antecipado do arquirrival. Sem saber do resultado, já que o Barça entrava em campo apenas à noite, a torcida merengue deixou o estádio cantando "Campeones, campeones, olé, olé, olé".
Os merengues lideram com 91 pontos, sete a mais que o Barça, faltando três jogos (a 20ª rodada será disputada na próxima quarta-feira). Ou seja: uma simples vitória diante do Athletic Bilbao, no San Mamés, já será suficiente para garantir o título. Ou até mesmo se o Barcelona for derrotado pelo Málaga, no Camp Nou, no mesmo dia.
Na última semana, os dois gigantes da Espanha foram eliminados na semifinal da Liga dos Campeões. Na terça, o Barça empatou em 2 a 2 com o Chelsea e ficou fora da final do dia 19 de maio. Já o Real caiu nos pênaltis para o Bayern de Munique, um dia depois.
Na sexta, Guardiola anunciou que não treinará o clube catalão na próxima temporada e que seu auxiliar, Tito Vilanova, será o comandante de Lionel Messi & cia. Sem a Champions e praticamente sem chances no Espanhol, a última oportunidade para o Barça ser campeão na temporada é a Copa do Rei contra o Athletic Bilbao, dia 25 de maio, no estádio Vicente Calderón.
está emprestado ao Valencia (Foto: Reprodução)
Os jogadores do Real Madrid entraram em campo com camisas em homenagem a Sergio Canales. O meia, emprestado pelo clube merengue ao Valencia, sofreu uma lesão no ligamento do joelho direito durante a semifinal da Liga Europa contra o Atlético de Madri, quinta, e ficará seis meses fora.
Após o jornal francês "L'Equipe" ter divulgado que Kaká e Higuaín haviam se encontrado com o presidente do Paris Saint-Germainrecentemente, Mourinho deixou a dupla no banco e não utilizou o brasileiro e o argentino contra o Sevilla.
O primeiro gol do jogo foi marcado aos 19 da etapa inicial por Cristiano Ronaldo, que recebeu de Benzema na área, deu um belo drible em Coke e bateu sem chances para o goleiro Varas. Foi o 43º gol do português, artilheiro do Espanhol. Aos 36, o português acertou a trave após cobrança de falta de dois toques dentro da área.
Na etapa final, Benzema balançou a rede duas vezes. Aos três minutos, Di María cruzou, a zaga falhou e o francês chutou para o fundo da rede. O camisa 9 fechou o placar aos seis, quando recebeu bom cruzamento de Sergio Ramos e cabeceou de "peixinho".
Maior campeão espanhol com 31 taças, o Real não conquista o torneio nacional desde a temporada 2007/2008. Depois, o clube merengue viu o Barça de Guardiola ser tricampeão (2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011). No ano passado, a equipe de Mourinho venceu a Copa do Rei contra o maior rival, mas foi eliminado pelo time catalão na semifinal da Champions (o Barça ganhou o título europeu).
Na próxima quarta, o Real visita o Athletic Bilbao, fora, pela 20ª rodada. Os últimos rivais no Espanhol serão Granada, fora (37ª rodada), e Mallorca, no Bernabéu (38ª rodada)
28 de abr. de 2012
Atacante Lucas é apelidado de Tufão por Ronaldinho Gaúcho no Fla
Na vida real, o Flamengo também tem seu Tufão. O jovem Lucas, 20 anos, recebeu o apelido de Ronaldinho Gaúcho e dos companheiros de time, e agora virou jogador de novela nos treinos do Rubro-Negro. Tufão é o personagem vivido por Murilo Benício em “Avenida Brasil”. Na trama, o ator, que torce pelo Botafogo na vida pessoal, interpreta um jogador que teve passagem pelo clube da Gávea e já pendurou as chuteiras.
- Vamos, Tufão. Toca, Tufão – orientou Ronaldinho Gaúcho durante a atividade deste sábado pela manhã no Ninho do Urubu.
Lucas foi revelado nas categorias de base do Flamengo. No início da atual temporada, o jogador fez todo o trabalho da pré-temporada com o grupo principal e estreou num amistoso contra o Corinthians. O atacante tem contrato com o clube até 2014.
Cesar Cielo fecha Maria Lenk com mais um ouro e garante título ao Fla
Antes de entrar na água, Cesar Cieloincentivou a torcida rubro-negra, que encheu o Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, neste sábado. Se o Flamengo vai mal no futebol, na natação viveu um grande dia. Na prova que fechava o Troféu Maria Lenk, Cielo pegou o revezamento 4x100m medley na segunda posição, mas deixou Marcelo Chierighini e o Pinheiros rapidamente para trás, levando o Fla ao lugar mais alto do pódio. E não só da prova. Ajudou a garantir também o título brasileiro ao clube, algo que não acontecia há dez anos. O campeão olímpico seguiu o roteiro perfeito do técnico Marcos Veiga.
- Eu estava imaginando que ia nadar o borboleta, que é o que faço nesse revezamento normalmente, mas o Marcão (Marcos Veiga, técnico do Flamengo) teve um sonho que eu ia cair atrás e ia buscar. Parece que o sonho dele virou realidade - contou Cielo, que encerrou a competição com cinco ouros.
Com um elenco cheio de destaques da seleção, como Cielo, Leonardo de Deus, Joanna Maranhão e Tales Cerdeira, a equipe rubro-negra garantiu o título com 2.152,50 pontos. O Pinheiros, que dominou a natação brasileira de 2003 a 2010, chegou a sentir o gostinho de uma nova vitória, mas terminou em segundo, com 2.070 pontos. Com a ajuda de Thiago Pereira, o Corinthians foi o terceiro colocado (1.930,50).
Título com chave de ouro
O Pinheiros liderou quase toda a prova. Primeiro, no estilo costas, Daniel Orzechowski levou a melhor sobre Eugene Godsoe. Na sequência, o campeão mundial Felipe França manteve a vantagem sobre Henrique Barbosa no peito. Filipe Nunes comandou a reação do Flamengo no borboleta, contra Gabriel Mangabeira.
Foi aí que Cielo começou a pedir apoio da torcida. Passou Marcelo Chierighini nos últimos metros e bateu em primeiro em 3m36s10 contra 3m36s60 do Pinheiros, para delírio dos fãs. O Minas foi o terceiro, com 3m41s72. Com uma bandeira rubro-negra, Cesão comandou a festa da arquibancada.
- É a realização de um sonho que eu e a Patricia (Amorim) tivemos há três anos. É muito bom. É uma coisa que a gente pensou em fazer a longo prazo. Não queríamos fazer uma coisa foguete. Ser campeão num ano e sumir depois. Hoje a gente tem uma equipe sólida. É a natação mais vitoriosa do Brasil que agora volta a ser campeã. É uma honra muito grande fazer parte desse projeto. O Flamengo não só volta a ser campeão como abre uma gama nova para os atletas optarem por clubes diferentes. Acho que vamos ter uma natação mais acirrada a cada ano. Deixa a competição mais interessante, mais legal - afirmou Cielo, antes mesmo de o resultado final da competição ser divulgado.
Filho de Kleberson visita Ninho com luvas de goleiro e camisa do United
Duas visitas mudaram um pouco da rotina do Ninho do Urubu no treinamento do Flamengo neste sábado. Klebinho e Daphine, filhos do pentacampeão Kleberson, acompanharam o pai no dia de trabalho.
Chamaram a atenção roupas e acessórios usados por Klebinho. O garoto vestia uma camisa do Manchester United, clube que o pai defendeu entre 2003 e 2005 sem grande destaque. Nas mãos, Klebinho usava luvas de goleiro.
No juvenil, Fla faz 11 no Nova Iguaçu com direito a golaço de Jean Chera
Um desavisado que chegasse à Gávea hoje pela manhã poderia estranhar quando fosse informado do placar do jogo da categoria juvenil entre Flamengo e Nova Iguaçu. O Rubro-Negro venceu por 11 a 0. Os gols foram marcados por Caio Rangel (dois), Douglas (dois), Lucão, Renan Donizete (dois) e Renato Maceió (três). Jean Chera ainda fechou o placar com um golaço de falta, cobrando de perna esquerda, da entrada da área, sem chances para o goleiro (assista ao vídeo produzido pela TV Fla).
Teve gol em rebatida do goleiro, de pênalti, de cabeça, com linha de passe. Renan Donizete marcou o sexto, livre de marcação, e o outro depois de boa jogada com um chute rasteiro.
Com a vitória, o time chegou a 15 pontos no Carioca. O próximo desafio será na terça-feira, contra o Resende, no estádio do Trabalhador.
Fabuloso afirma que não tem relação com multas de carro apreendido
Depois de o carro que estava dirigindo ser apreendido pela polícia na manhã deste sábado, antes do treinamento do São Paulo, o atacante Luis Fabiano divulgou nota oficial comentando o caso.
A assessoria de imprensa do jogador confirmou que o atleta comprou o automóvel recentemente, mas que o veículo ainda não está em nome do são-paulino. O valor das multas atrasadas, que segundo a Polícia Militar é de R$ 10 mil, está vinculado ao veículo e não tem relação com Luis Fabiano, segundo o próprio.
O tricolor foi parado na Avenida Nicolas Boer, quando se dirigia ao CT da Barra Funda para treino deste sábado. A Polícia Militar fazia uma abordagem em um veículo com placa adulterada no local, quando, no trânsito, o automóvel conduzido por Luis Fabiano chamou a atenção por não ter placa dianteira.
Segundo o sargento Marco Antônio, que comandou a operação, apesar dos 37 pontos na carteira, o atleta não estava com habilitação suspensa. Luis Fabiano foi liberado, mas o carro foi apreendido e conduzido para o pátio da CET - Divisa São Paulo / Guarulhos.
Confira o comunicado
A assessoria de imprensa do jogador Luis Fabiano confirma que o veículo que estava sendo conduzido pelo jogador, por volta de 8h30 da manhã deste sábado, dia 28, quando ele se dirigia ao Centro de Treinamentos do São Paulo, foi apreendido pela Polícia Militar de São Paulo.
O automóvel, adquirido recentemente pelo atleta, não está em nome de Luis Fabiano e sim do antigo proprietário. Sendo assim, o valor de multas vinculado ao veículo não tem relação com o jogador.
No momento da abordagem policial, o veículo estava sem placa dianteira, já que a mesma havia caído. Quando questionado pelo policial sobre a ausência da placa, Luis Fabiano prontamente a apresentou e explicou o que havia ocorrido. O veículo foi vendido para o jogador exatamente com o padrão de emplacamento que se encontra atualmente.
A habilitação de Luis Fabiano é válida até 2015 e sua documentação não foi aprendida, portanto o jogador está dentro das leis brasileiras para dirigir um automóvel
Robinho e Julio César jogarão partida beneficente com Messi em Bogotá
O atacante Robinho, do Milan, e o goleiro Julio César, do Inter de Milão, estão entre os convidados de Lionel Messi para uma partida beneficente que será organizada pelo argentino no dia 21 de junho em Bogotá, na Colômbia.
O uruguaio Diego Forlán e os argentinos Ariel Ortega, Javier Mascherano e Ezquiel Lavezzi também fazem parte da lista do amistoso "Messi e seus amigos", segundo a assessoria de imprensa da Total Conciertos, empresa encarregada do evento.
Parte do dinheiro arrecadado com as entradas será destinada à Fundação Leo Messi, organização filantrópica criada pelo jogador que também é embaixador do Unicef. O camisa 10 do Barcelona realiza anualmente a partida beneficente, sempre em países diferentes da América do Sul. No ano passado, o jogo foi disputado no Chile.
'Para nossa alegria': Ramires promete até clipe se conquistar a Champions
Para alegria do Chelsea, Ramires veste azul. De riso fácil e ao mesmo tempo tímido, o brasileiro curte a semana de herói em Londres. Talvez a dificuldade com o inglês ainda não o permita entender todos os elogios que tem recebido de imprensa e torcedores, mas a sensação de dever cumprido é suficiente para apontar o momento atual como o melhor da carreira. Depois do golaço no empate por 2 a 2 com o Barcelona, terça-feira, no Camp Nou, o volante faz apenas dois pedidos para ter como perfeita uma temporada que pode terminar até com clipe de música: o título da Champions League e a volta à Seleção, objetivo mais próximo depois de Mano Menezes garantir que seu lugar no elenco sempre esteve garantido.
- Foi algo que me deixou mais tranquilo. Me perguntavam muito o que tinha acontecido e eu sempre falava a mesma coisa, que não tinha acontecido nada. Foi bom que ele explicou, deixou tudo claro. Não tenho nem mais o que dizer, ele falou tudo.
Com 10 gols na temporada, Ramires já era exceção em um Chelsea que parecia fadado ao fracasso há três meses e agora vive a expectativa de duas conquistas - antes de encarar o Bayern de Munique em 19 de maio (sem Ramires, suspenso), o time pega o Liverpool, dia 5, pela final da Copa da Inglaterra. Enquanto as decisões não chegam, o brasileiro recebeu o GLOBOESPORTE.COM e falou do turbilhão de emoções do confronto com o Barça, da temporada atípica dos Blues, da saudade da avó Teresa, do orgulho pela trajetória no futebol e até de racismo. Como não poderia deixar de ser, entrou ainda na brincadeira da comparação com o jovem cantor Jefferson, que virou febre na internet com o vídeo "Para nossa alegria" gravado ao lado da irmã Suellen e da mãe Mara (veja no vídeo ao lado), e fez uma promessa em caso de título em Munique:
- Se acontecer, até eu faço o clipe.
Confira toda a entrevista com Ramires:
GLOBOESPORTE.COM: Você deve ter visto na internet as brincadeiras que fazem com você e o cantor do vídeo “Para nossa alegria”, que virou febre no Brasil. Aprova? Acha parecido?
Eu vi, mas parecido eu não acho, não (risos). Até falei com minha esposa que pegaram uma foto minha lá do Benfica, de cabelo grande, todo mal cuidado (risos). Mas eu acho legal, é uma brincadeira válida. Há várias outras piadas na internet. Eu vejo o vídeo e fico dando muita risada. Para nossa alegria, vamos ganhar a Champions. Se acontecer, até eu faço o clipe. Se é para divertir, está tranquilo. O que eu só não gosto é a falta de respeito, alguns comentários de mau gosto que já vi, tanto comigo quanto com o garoto. Meio racistas. Não há espaço para isso.
Você já sofreu algum caso de racismo em campo?
Em Portugal, alguns torcedores já fizeram som de macaco, mas não todos. No Brasil, é mais difícil, somos muito misturados. Aqui fora, foram atos isolados e de torcida. Em campo, eu só vivi isso uma vez e, por incrível que pareça, no Cruzeiro. E o cara que falou para mim era negro também. É uma coisa que nos deixa indignados. Logo depois, fiz um gol e ele era zagueiro. Dei a resposta em campo.
Já caiu a ficha da grandiosidade do que você fez no Camp Nou?
Como eu falei após o jogo, fomos lá para tentar fazer história. E conseguimos. Jogando com 10 homens, contra o melhor time do mundo, e todos nós entramos para história. Eu fui premiado com aquele gol, que foi um golaço. Dois dias depois, a ficha ainda não caiu. Aos poucos que vou vendo que realmente passamos, estamos na final. Agora que está caindo também que estou fora (suspenso). À medida que a final vai se aproximando, tudo isso vai ficando mais forte. Só no dia mesmo que vou parar e ver: “Poxa, estou fora”.
Após o jogo contra o Barça, os jogadores que deram entrevista foram unânimes ao falarem que seu gol foi o que fez a diferença. Como foi essa celebração entre vocês, a reação?
Comemoramos muito no vestiário, todo mundo se abraçando, vivendo aquela emoção. Nós já acreditávamos antes, mas ficou muito complicado quando Terry foi expulso. Ali vimos que as coisas podiam não acontecer bem. O Barcelona abriu 2 a 0 e, realmente, o gol saiu na hora certa. Eu fiz o gol e o juiz acabou o primeiro tempo. Estava até conversando com o Raul Meirelles e dissemos que tudo aconteceu na hora certa.
Se o primeiro tempo acaba 2 a 0 tudo seria muito mais complicado...
em Londres (Foto: Fellipe Arnold/Globoesporte.com)
O time ganhou forças nesse momento. Ir para o intervalo com 2 a 0 contra ia ser complicado, seria difícil fazer um gol, até pela pressão que sofremos. O pênalti que o Messi perdeu também nos fez crescer. O tempo foi passando, eles não conseguiram fazer e entraram em desespero. Até tentaram bola aérea, o que não é o jogo deles. Eu já estava vendo que uma hora ou outra ia acontecer o que aconteceu com o chutão do Ashley (Cole). Eles estavam saindo muito. Eu, o Kalou, o Lampard, alguém ia pegar uma bola e sair na cara do gol. Foi o Fernando. Quando ele dominou sozinho, eu já comecei a correr vibrando, esperando ele chutar (risos). Eu gritava: “Faz o gol, faz o gol, faz o gol...”. Nossa, é até difícil de explicar. Toda hora eu lembro cada momento desse jogo.
Queria que você falasse também dos poucos segundos que você teve entre receber o passe do Lampard e concluir. Da onde vem a decisão, a frieza de dar o toque por cima do Valdés?
É tudo muito rápido. O passe do Lampard foi espetacular. Eu nem precisei tocar na bola para dominar, ajeitar, nada. O único toque que eu dei foi para finalizar. Quando eu olhei, vi o Valdés saindo e tinha algum defensor chegando. Se eu tento dominar para pensar, não faria o gol. Minha única opção era aquela. Acabei pegando bem e...
Muita gente comentou que foi um gol justamente com a marca do Messi nessa temporada.
É verdade. Falam muito da minha frieza e justamente por ter sido um gol como o Messi costuma fazer, dentro do estádio dele, contra ele e que o eliminou da Champions. Falam que foi o destino. Aí, entra um monte de coisa. O gol realmente foi muito bonito.
Você frisou muito após os dois jogos a questão do respeito ao Chelsea. O fato de muita gente já esperar uma final entre Real Madrid e Barcelona deu ainda mais motivação e coragem para que vocês entrassem em campo?
Mexe, mexe. Isso mexe muito com o jogador. É até engraçado olhar na cara de quem falou um monte de coisa. Disseram que íamos tomar de cinco, seis, dez, que seria um vareio. Isso mexeu muito comigo. Uma semana antes, só se ouvia isso. Eu só pensava: “Calma, não é assim”. Tínhamos nossa história. Fizemos grandes jogos contra o Napoli, contra o Benfica fora de casa. Falaram que o Benfica merecia passar, mas nós jogamos bem em Lisboa. Tudo isso vai acumulando. Sabíamos que ganhar no Camp Nou seria difícil, mas em casa não perderíamos de jeito nenhum. Toda essa história mexeu com os jogadores, vi isso no vestiário. Quando não tem muita conversa, brincadeira, cada um ouve sua música, olha na cara do outro, é porque a coisa está diferente.
E esse monte de coisa que falam sobre o estilo que vocês adotaram para enfrentar o Barça? Escreveram que era o antifutebol, injustiça, e por aí vai...
No futebol, cada um tem uma proposta de jogo. É impossível encarar o Barcelona de igual para igual. Basta ver o jogo contra o próprio Real Madrid. Eles tiveram 72% de posse de bola, e estamos falando de Real Madrid. Ganharam por 2 a 1. Nós também tínhamos nossa proposta, que era defender e sair no contra-ataque. Tivemos as oportunidades e aproveitamos. Foi uma escolha e muito time daqui para frente vai jogar desse jeito. Serviu de exemplo. O Inter de Milão fez assim e também ganhou. Se é o único jeito, temos que fazer.
Quando você recebeu a notícia da saída do Guardiola, chegou a pensar: “Caramba, fomos responsáveis pelo fim de uma era”?
É até difícil de acreditar. Mas são ciclos, futebol é assim. Era muito tempo com o mesmo treinador, mesmos jogadores, ganharam tudo que podiam e não podiam... Acho que realmente há um limite. Saiu na hora que achou que devia, fez muito pelo clube.
Falando um pouco do seu momento individual, tudo tem dado muito certo. Casa nova, contrato novo, Chelsea em duas finais...
Estou bem feliz. Vivo a melhor fase da minha carreira. Ampliei meu contrato por mais três anos, tenho suporte, tenho o carinho da torcida, do clube, o respeito... Isso tudo é muito importante.
Sua renovação aconteceu um dia após a saída do André Villas-Boas, que sempre apostou muito em você. Esse reconhecimento te deu mais tranquilidade para alcançar essa boa fase?
O próprio André foi muito importante nisso. Ele pediu bastante para que o clube renovasse comigo, até para segurar, pois depois podia ficar mais difícil. Acabou que foi bom para todo mundo. Renovaram, estou jogando bem e se não fosse assim tudo poderia ficar mais complicado agora. Fiquei triste pela saída do André, mas foi um cara que colaborou muito para tudo isso.
Depois de quase três meses, dá para explicar o motivo de tanta diferença do Chelsea do AVB para o time atual?
O Di Matteo trabalhava com ele, então tudo faz parte do mesmo trabalho. Estávamos em uma fase tão ruim, que tudo dava errado. Jogador sem confiança é a pior coisa que tem. Enfrentávamos time pequeno e não tocávamos na bola, era só chutão. Nem parecia o Chelsea. Éramos dominados, ninguém queria a bola. Depois, começamos a vencer os jogos em um momento que não tínhamos opção e a confiança voltou. Contra o Napoli, por exemplo, era vencer ou vencer. Tínhamos dois campeonatos para salvar a temporada e estamos em duas finais.
Você acha que o Di Matteo está sabendo levar melhor o grupo do que ele, que chegou a colocar muito dos medalhões no banco?
Não tenho nem mais o que dizer, ele falou tudo"
Ramires, sobre Mano Menezes
O fato de alguns jogadores terem ficado no banco deixou tudo meio complicado. Ninguém gosta de ficar no banco. Com a saída do André, todo mundo voltou a querer dar uma resposta, mostrar que podia. É complicado dizer foi isso ou aquilo. Acho que foi uma fase mesmo. A alegria nos treinamentos é a mesma de antes, mas nos jogos as coisas não aconteciam.
Fala-se muito que o grupo do Chelsea é complicado de trabalhar. O próprio Felipão, logo após a saída do André, falou que só quem vive o clube sabe o que realmente acontece. Há realmente problemas, panela?
É a mesma coisa de eu sair do clube amanhã e querer falar um monte de coisa. Por que não falam quando estão aqui? São coisas que só vêm para complicar. Toda vez que acontece algum problema, é a mesma história. Dentro do clube, todo mundo se fala. Futebol é fogo, em qualquer lugar é a mesma coisa: o cara vai, joga, faz o que tem que fazer, mas há quem não se goste, não se fale, é normal em todo ambiente de trabalho. O problema é que o Chelsea foi rotulado dessa forma e sempre falam a mesma coisa. Agora, que estamos bem, ninguém fala nada, mas deixa entrar em crise, perder...
E a vida em Londres? Você se mudou recentemente, já está na cidade há quase dois anos. Está completamente adaptado?
O clima eu já estou adaptado. Na verdade, é difícil falar disso. Quando esfria mesmo, não dá para falar em adaptação (risos). Sai de chinelo na neve para você ver... (risos). Mas estamos se ajeitando. Trocamos apartamento por casa, meu filho está crescendo, precisa de mais espaço. As coisas estão caminhando muito bem profissional e pessoalmente.
Já fala o idioma bem? Está mais seguro? Soube que você está fazendo aula...
(Foto: Fellipe Arnold / Globoesporte.com)
Tenho feito aula quando dá, quando não estou muito cansado. Daqui a pouco já dá para falar. No meio do ano. Não esse agora, só no ano que vem (risos). Aí, já vou falar alguma coisa.
Mudando de assunto, o Mano Menezes falou recentemente que você é um cara que não precisa ser testado para Seleção. Depois de tanto tempo sem ser convocado, isso te tranquilizou?
Para mim, foi ótimo isso. Foi algo que me deixou mais tranquilo. Me perguntavam muito o que tinha acontecido e eu sempre falava a mesma coisa, que não tinha acontecido nada. Foi bom que ele explicou, deixou tudo claro. Não tenho nem mais o que dizer, ele falou tudo.
Mesmo tendo uma Copa do Mundo no currículo, esse momento atual é o ápice da sua carreira?
Com certeza. Se conseguir o título da Champions então, só vencer uma Copa do Mundo para superar. Jogar no Chelsea já é difícil, ainda mais ser destaque em um time com tantas estrelas, ser bem falado, estar em evidência. É um momento bem bacana, um ano que vai ficar muito marcado. Para fechar com chave de ouro, só faltam os títulos e a volta para Seleção.
Você disse que lembra muito os momentos do jogo com o Barça. Tudo isso que tem acontecido na sua carreira te faz voltar também no tempo, desde Barra do Piraí até hoje?
É algo que sempre aconteceu comigo. Desde quando fui campeão mineiro com o Cruzeiro, depois português no Benfica, tudo que tem acontecido agora. Eu paro e penso em como tudo foi rápido, tudo aconteceu em apenas sete anos. Minha história profissional é bem bonita. Em 2004, no meio do ano, eu estava lá na minha cidade, descalço, jogando bola com a molecada, e agora estou aqui, em uma final de Champions. É um filme que passa na minha cabeça a cada conquista (veja abaixo a jogada para o gol de Drogba no Chelsea 1 x 0 Barcelona).
Como que foi essa trajetória de Piraí até o Chelsea? Qual foi o momento mais difícil?
Foi sair de casa, sozinho, com 17 anos. Nunca tinha viajado sozinho. Fui de Barra do Piraí para Joinville de ônibus, umas 12 horas de viagem. Eu lembro que ficava com medo do ônibus passar direto, eu não tinha ideia de onde parava (risos). Quando chegou em Curitiba, pensei: “Estou perto”, mas toda hora ia perguntar ao motorista como que estava, se estava longe. Nem consegui dormir. Coloquei o telefone para despertar, mas dormir só duas horas e fiquei de olho em tudo. Cheguei lá morto, sentei na rodoviária e ninguém aparecia. Quase comprei passagem para voltar para o Rio, fiquei com medo de me darem um bolo (risos). Até que os caras chegaram, brincaram comigo. De lá para cá, tudo deu certo. O começo foi complicado, mas as coisas se ajeitaram.
Hoje em dia, 17 anos já é uma idade avançada para começar no futebol. Você pensou em desistir?
Quando fui para o Joinville, já estava trabalhando. Era servente de pedreiro, às vezes aparecia alguma coisa para capinar... Tinha que ganhar um dinheiro para ajudar. Minha avó tinha falecido e meu irmão ajudava no gás, meu tio pagava a luz, era tudo dividido. Eu tinha que ajudar. Meu irmão comprava roupa para nós dois. Ele é mais forte que eu e comprava roupa pequena para eu usar, ficava tudo apertado nele. Meu irmão foi praticamente meu pai. Quando ele ia ver meus jogos e eu o via na arquibancada, queria fazer de tudo para ele ter orgulho.
Você já falou algumas vezes da sua avó Tereza, como era a relação de vocês? Você pensa muito nela em momentos como o que tem vivido agora?
Já falei com minha esposa: “Quem eu queria que estivesse aqui, agora, vendo tudo isso era minha avó”. Ver esse sucesso todo, a vida que posso dar para minha família... Queria que ela curtisse um pouquinho disso, até pelo que passamos juntos. Minha esposa disse que onde quer que esteja ela está vendo tudo, mas eu a queria aqui. Ela foi minha mãe praticamente. Me educou, me criou... Meus Deus, vó Teresa era tudo! Ela teve derrame, parou o lado esquerdo, não conseguiu se recuperar e eu que cuidei dela. Tinha que trocar fralda, dar atenção. Eu estudava de manhã e voltava correndo para ajudá-la. Já ia para escola preocupado com isso. Lembro que quando minha avó faleceu eu estava sonhando justamente com ela. Acordei e só escutei meus tios com cuidado falando: “A mãe faleceu”. Levantei, fui para sala e todo mundo ficou espantado. Eu desabei. Tinha perdido o chão. Mesmo ela de cama, éramos muito próximos. Tudo que ela pedisse, eu fazia. Às vezes, ela só chamava para brincar, para me ver por perto. Minha infância toda, ela cuidou de mim. Então, eu tinha que fazer aquilo por ela, retribuir, mostrar meu amor.
Tanta dedicação que você mostra em campo vem desse exemplo de luta que ela te deu?
E o cara que falou para mim era negro também"
Ramires, lembrando caso de racismo em campo
Com certeza. Quando você nasce em um bairro mais pobre, tem vários caminhos para seguir. Os mais fáceis são das drogas, prostituição... Eu tinha essas opções, mas não foi assim que fui criado. Tive uma educação, mesmo sendo de família humilde. Aprendi que se quero uma coisa, tenho que trabalhar para conseguir. Se não tiver dinheiro, jamais vou roubar para ter. Foi assim que ela me ensinou. Se tem, tem. Se não tem, não tem. E assim vou levando. É a lição que vou passar para meu filho. Ter simplicidade e humildade é o caminho. Sempre vou lembrar minhas origens.
Voltando a falar da Champions, já apontam o Bayern como favorito por jogar em casa, mas vocês já provaram que duvidar do Chelsea não é muito prudente, né?
Pois é, mas é até bom não apostarem muito na gente. Se for para vencer assim, podem falar o que quiserem. É questão de respeito. Isso deixa o jogador mais mordido. Vamos respeitar o Bayern e esperamos o mesmo. Eliminamos grandes adversários e estamos na final por merecimento. Vamos com cuidado e pé no chão.
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